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Freud e os Mecanismos de Defesa: Lidando com a Dor Psicológica e Emocional

Foto do escritor: Alessander Raker StehlingAlessander Raker Stehling

Lembro-me de quando eu era criança e me machucava — chutando o chão, jogando bola na rua ou ralando o joelho correndo atrás dos coleguinhas — que minha mãe trazia o Merthiolate, um líquido transparente que era o terror de qualquer criança. Aquele treco ardia que só o diabo quando entrava em contato com a ferida; a gente soprava igual louco o local para diminuir a dor — e como doía.


A dor em níveis elevados nunca é legal; para reduzi-la, temos diversas alternativas: analgésicos, anti-inflamatórios ou até um bom e velho descanso. Mas e o sofrimento interno? Digo, a dor psicológica, ante uma perda, um término de relacionamento ou angústia elevada, quais recursos possuímos para nos defender?


Freud, com sua mente brilhante, nos trouxe uma compreensão profunda sobre como lidamos com essas dores invisíveis. Ele descreveu os mecanismos de defesa, ferramentas psíquicas que nosso inconsciente usa para proteger nossa mente da dor extrema e do sofrimento. Esses mecanismos são processos inconscientes que permitem à psique encontrar uma “solução” para conflitos não resolvidos no nível da consciência — na maioria das vezes eles não resolvem nada, mas diminuem a angústia, o que já é bom para manter nosso equilíbrio interior.


A negação é um dos mecanismos mais comuns e, possivelmente, o mais fácil de reconhecer. É quando simplesmente recusamos aceitar a realidade de uma situação dolorosa. Pense naquele amigo que insiste naquele relacionamento de merda, ele até diz que tá tudo bem, mesmo quando todos os sinais indicam o contrário. Projeção é outro mecanismo, onde atribuímos nossos próprios sentimentos indesejados a outra pessoa. Já ouviu alguém acusar os outros de serem egoístas, quando na verdade quem é egoísta é ele mesmo? Pois é, projeção.


Racionalização é quando tentamos justificar comportamentos ou sentimentos que, no fundo, sabemos que são errados ou inaceitáveis. A pessoa que perde o emprego e diz que era porque queria mudar de carreira, por exemplo. Isolamento, por outro lado, ocorre quando separamos os aspectos emocionais de uma situação dolorosa para poder lidar com ela de forma mais racional. Como quem fala sobre uma experiência traumática de maneira totalmente fria e desprovida de emoção.


Esses são apenas alguns exemplos de como nossa psique se arma para nos proteger das dores que não podemos simplesmente curar com um comprimido ou um curativo. Os mecanismos de defesa são complexos, mas fascinantes, mostrando a incrível capacidade do nosso inconsciente de tentar manter a harmonia interna.


Assim como sopramos o joelho machucado para aliviar a dor do Merthiolate, nosso inconsciente usa esses mecanismos de defesa para tentar amenizar as dores emocionais. A verdade é que, seja física ou emocional, a dor sempre encontra uma maneira de nos atingir. Mas, pelo menos com o Merthiolate, a gente sabia que a ardência ia passar. Já o coração... bem, às vezes ele fica doendo a vida inteira. Fazer o quê, né?!


— Alessander Raker Stehling

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Na possibilidade de dor extrema, passam a agir dispositivos psíquicos especiais de proteção. Frases Freud
Na possibilidade de dor extrema, passam a agir dispositivos psíquicos especiais de proteção. Frases Freud

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