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Por Que Fingimos Ser Quem Não Somos? O Medo da Rejeição Explicado Segundo Carl Rogers

Foto do escritor: Alessander Raker StehlingAlessander Raker Stehling

— Por que você está tão triste, Carlos? O que aconteceu? — perguntei, preocupado.


Carlos andava sumido. Ignorava minhas ligações há três semanas. Quando finalmente consegui encontrá-lo, vi seus olhos vermelhos de tanto chorar.


Ele suspirou. “Cara, a Mariana terminou comigo… do nada! Só porque cancelei nossa viagem para as Maldivas.”


Eu, distraído, tomava um copo d’água. Quando ouvi aquilo, cuspi até pelo nariz. “Ma-Ma-Maldivas?! Tu ganhou na Mega-Sena e não me contou? Eu te conheço, cara. Você tá desempregado há dois meses! Onde arrumou dinheiro pra isso? Tá trabalhando no ‘job’ agora?!”


Ele abaixou a cabeça, sem graça. “Pois é, meu amigo… aí que tá. Ela descobriu tudo por uma amiga. Soube que eu tô desempregado, que o carro que eu usava com ela era alugado, que eu não tenho as casas que falei… e muito menos a grana que ostentei. Tô é quebrado. Foi por isso que ela terminou.”


Fiquei com ele até de madrugada, tentando consolar. Mas, no fundo, sabia que nada do que eu dissesse mudaria a dor que ele estava sentindo.


Hoje, pensando no que aconteceu, percebo que o problema do Carlos não foi só a mentira em si. Foi algo mais profundo: a necessidade de fingir ser alguém que ele não era.


E isso é mais comum do que parece. Quem nunca tentou parecer mais interessante para ser aceito? Quem nunca engoliu um sentimento para manter a pose? Quem nunca interpretou um personagem para impressionar?


O Carlos fez isso por medo da rejeição. Mariana é dentista, filha de médicos, bonita e acostumada a um círculo de gente com dinheiro. Já ele, tá fazendo bico como motorista de aplicativo, usava carro alugado. E, por achar que não seria suficiente, criou uma versão de si mesmo que parecia mais atraente.



Só que viver de fachada tem um problema: a verdade sempre aparece. E, quando aparece, destrói tudo o que foi construído sobre a mentira.


O que o Carlos não percebeu é que, ao fingir ser rico para conquistá-la, ele mesmo se tirou do jogo. Mariana nunca teve a chance de gostar dele de verdade, porque nunca conheceu o verdadeiro Carlos — e olha que ele é um cara gente boa.


E isso me fez refletir: quantas relações por aí são baseadas em personagens? Quantas vezes tentamos agradar, nos moldamos, nos anulamos, só para sermos aceitos?


No fim, fingir ser alguém que não se é nunca leva a uma relação verdadeira. Leva apenas a um vazio. Porque, quando somos rejeitados por quem realmente somos, pelo menos sabemos que tentamos. Mas, quando somos rejeitados pelo que fingimos ser, ficamos com uma dúvida cruel: se eu tivesse sido eu mesmo, teria sido aceito?


Carlos arriscou a sorte e se lascou. Mas eu não quero isso pra mim. A vida já é difícil demais para ainda termos que atuar.


Se tem algo que aprendi com essa história, é que amor de mentira não vale nada. E quem mente para ser amado… só consegue isso.


— Alessander Raker Stehling

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“Nas minhas relações com as pessoas descobri que não ajuda, a longo prazo, agir como se eu fosse alguma coisa que não sou.” Frase Carl Rogers
“Nas minhas relações com as pessoas descobri que não ajuda, a longo prazo, agir como se eu fosse alguma coisa que não sou.” Frase Carl Rogers

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