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Trauma de Abandono e Traição: Como Superar e Construir Relacionamentos Saudáveis

Foto do escritor: Alessander Raker StehlingAlessander Raker Stehling

Fim de semana estava conversando com uma amiga que tem um comportamento interessante. Ela sempre trai ou abandona os homens com quem está se envolvendo. Quando a questionei sobre o porquê disso, ela me disse que não confia nos homens, que todos são traidores e que, por isso, ela os trai ou abandona. Fiquei curioso e investiguei mais a fundo a questão.


Essa amiga, quando criança, foi abandonada pelo pai e, posteriormente, pela mãe, sendo criada pelos avós. Percebi da boca dela o ódio que ela nutre pelo pai e creio que esse trauma do pai tenha distorcido sua visão de todos os homens, algo bem comum.


Ela desenvolveu uma espécie de paranoia relacional, onde a figura masculina se tornou um símbolo de traição e abandono. Esse trauma infantil gerou uma crença infundada e exagerada de que todos os homens, inevitavelmente, irão traí-la e abandoná-la, exatamente como seu pai fez. Assim, para se proteger dessa dor antecipada, ela adota um comportamento paradoxal: trair ou abandonar os parceiros antes que eles tenham a chance de fazê-lo com ela.


Esse comportamento é um mecanismo de evitação, uma forma de lidar com o medo e a desconfiança profunda que se enraizou em sua psique. Ao trair ou abandonar, ela mantém a ilusão de controle sobre a situação, evitando reviver o sentimento de impotência e vulnerabilidade que experimentou na infância.


No entanto, essa estratégia de defesa acaba se tornando um ciclo vicioso. Sua crença distorcida leva a ações que confirmam e perpetuam essa crença. Quando ela trai ou abandona, não dá a oportunidade para que a relação se desenvolva de maneira saudável e, assim, a sua percepção de que “todos os homens são traidores” continua inalterada. Esse é um exemplo claro do que Freud apontava quando dizia que corrigimos traços inaceitáveis do mundo de acordo com nosso desejo e inscrevemos esse delírio na realidade.


A paranoia relacional de minha amiga é, na verdade, uma projeção do seu trauma infantil, um mecanismo de defesa que tenta evitar a dor do abandono, mas que, ironicamente, a leva a vivenciar repetidamente situações de separação e traição. Este comportamento não é raro; muitos de nós, influenciados por experiências negativas na infância, desenvolvemos crenças e comportamentos que, embora pretendam nos proteger, acabam por perpetuar nossos medos e sofrimentos.


A história de minha amiga ilustra como nossas experiências passadas podem moldar profundamente nossas percepções e ações futuras, criando padrões de comportamento que podem ser difíceis de romper. Entender a origem desses padrões é o primeiro passo para transformá-los, buscando novas formas de relacionamento baseadas na confiança e no respeito mútuo, ao invés de na desconfiança e na autoproteção exagerada.


— Alessander Raker Stehling

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Cada um de nós age semelhante ao paranoico, corrigindo algum traço inaceitável do mundo de acordo com o nosso desejo e inscrevendo esse delírio na realidade.  Frases Freud
Cada um de nós age semelhante ao paranoico, corrigindo algum traço inaceitável do mundo de acordo com o nosso desejo e inscrevendo esse delírio na realidade. Frases Freud

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